Quando a frieza italiana venceu um Japão a jogar à espanhola

Muitos dirão que foi apenas mais um jogo em que o cinismo e o calculismo Italiano voltou a demonstrar que o futebol tem lugar para algo mais do que futebol espectáculo. Outros, dirão ainda que o Japão dominou a seu belo prazer, mas que no final foi demasiado ingénuo para que possa ser recordado no futuro. Dos fracos normalmente não reza a história, mas estes nipónicos mereciam de facto algo mais.

Da Itália não há muito a dizer. Quatro defesas, quatro médios centro e depois Giacherinni no apoio ao controverso Balotelli. Perante isto, o que se me oferece dizer é que me parece claramente redutor para a qualidade dos jogadores que tem o futebol transalpino. Se por vezes não ganham mais, ou os seus jogadores não são mais exportados tem que ver, com a forma demasiado tradicional e conservadora, com que os seus treinadores abordam o jogo. Senão vejamos: os italianos entraram a perder por duas bolas a zero e só quando encaixou o segundo golo é que Prandelli  considerou alterar o sistema. Tirou Aquilani e colocou Giovinco passando a jogar em 4x3x2x1. Giacherinni e Giovinco jogavam no espaço entre o lateral e o central de cada lado e Balotelli continuava só na frente mas melhor apoiado pelas chegadas dos laterais (especialmente Maggio). A Itália reagiu e deu a volta para 3-2 muito à custa do rendimento de Giovinco.
Jogada seguinte do banco Italiano: retira Giacherinni e coloca Marchisio, retomando o 4x4x1x1 do início. No instante a seguir: livre do lado direito e empate para o Japão. Tudo dito.

Do lado dos nipónicos, surpresa total. Zacheronni ao contrário do que lhe é habitual, coloca uma equipa ofensiva em campo. Linha de quatro, com dois laterais "europeus" (Uchida e Nagatomo) a garantir profundidade, mais um duplo pivot a garantir equilíbrios( Hasebe e Endo).  Na frente Maeda jogava solto e tentava condicionar a saída de bola de Pirlo e tinha o apoio dos três melhores jogadores japoneses: Honda e Kagawa que conferem rasgo individual e capacidade técnica acima da média e Okazaki um extremo rápido, que transporta e confere verticalidade ao jogo dos Orientais.

Durante o jogo foi tal o seu domínio que na bancada se começaram a soltar "oles". O Japão jogava solto, completamente descomplexado e sempre a um/dois toques, chegando a parecer a Espanha na forma como fazia a sua circulação perante 4 médios Italianos.

 No final bola de Okazki ao poste e no ressalto Kagawa envia à trave. Frustração e transição defensiva menos conseguida. Marchisio recebe e descobre Giovinco ao segundo poste: é golo!

Injusto, o futebol não merecia!

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